Destacando a relevância histórica, cultural, ambiental e econômica do umbu para o semiárido baiano, especialmente no contexto do bioma caatinga, o deputado municipalista Hassan (PP), apresentou projeto de lei na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), reconhecendo o municÃpio de Manoel Vitorino como a ‘Capital Estadual do Umbu’ e declarando o umbu como ‘Patrimônio Cultural Imaterial do Estado da Bahia’. Ao justificar a iniciativa, o parlamentar frisou que “o Brasil é o maior produtor mundial desta fruta, a Bahia responde por quase 90% da produção nacional, sendo o municÃpio de Manoel Vitorino um dos maiores produtores baiano e com grande avanço no processo de industrialização, através do sistema de cooperativa”.
O autor do projeto analisa que a valorização e o estÃmulo à produção e verticalização dessa cadeia produtiva terá grande repercussão econômica e cultural, considerando que “cerca de 66% do território baiano está localizado no semiárido, área que abrange grande parte do interior do estado, com baixos Ãndices pluviométricos e longos perÃodos de estiagem”. Ele lembrou ainda que “o umbuzeiro é espécie nativa e sÃmbolo da caatinga, amplamente reconhecida por sua extraordinária adaptação à s condições climáticas adversas, como a irregularidade de chuvas e os longos perÃodos de estiagem”.
De acordo com o projeto, o poder executivo estadual poderá adotar medidas destinadas a promover a valorização cultural, econômica e ambiental do umbu, incentivar pesquisas, capacitações, eventos, feiras e ações educativas relacionadas à cadeia produtiva do umbu, apoiar agricultores familiares, extrativistas, cooperativas e associações envolvidas na produção e no beneficiamento do fruto, estimular o desenvolvimento sustentável e a preservação do bioma caatinga, por meio do manejo adequado do umbuzeiro e fomentar o turismo cultural e gastronômico associado ao umbu e seus derivados.
O legislador apontou ainda que “seu cultivo e seu extrativismo, quando realizados de forma adequada, configuram-se como estratégia sustentável de convivência com o semiárido, permitindo conciliar produção, preservação ambiental e fortalecimento de modos de vida tradicionais”. Hassan afirma ainda que “no âmbito econômico e social, o umbu ocupa papel central na realidade produtiva de Manoel Vitorino, uma vez que sua cadeia produtiva envolve agricultores familiares, extrativistas, associações comunitárias e cooperativas, movimentando a economia local por meio da colheita, do beneficiamento artesanal e agroindustrial e da fabricação de polpas, doces, geleias, sucos e demais derivados, que alcançam mercados locais, regionais e institucionais. “Trata-se de uma atividade que gera emprego e renda, fortalece arranjos produtivos locais e contribui para a diversificação da base econômica municipal”, complementou.
O deputado considera que a valorização institucional do umbu contribui para a fixação do homem e da mulher no campo, ao ampliar oportunidades de renda e estimular a permanência de famÃlias na zona rural, auxiliando na redução do êxodo rural e promovendo inclusão produtiva. Ele explica que o umbu está profundamente ligado aos saberes tradicionais do semiárido, por suas práticas de colheita, conservação, preparo e comercialização, transmitidos entre gerações e integrados à identidade cultural de inúmeras comunidades.

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